O que realmente é autoestima

Autoestima costuma ser confundida com autoconfiança ou com uma postura de "amor próprio" performada. Mas, na prática clínica, ela tem a ver com algo mais simples e mais profundo: a forma como você avalia o seu próprio valor, independentemente de conquistas, aparência ou aprovação externa.

Quando a autoestima está fragilizada, geralmente não é porque a pessoa "não se ama o suficiente" — é porque, ao longo da vida, ela aprendeu a se relacionar consigo mesma através de um crítico interno muito exigente.

Como a autoestima baixa aparece no dia a dia

  • Dificuldade em reconhecer as próprias conquistas
  • Comparação constante com outras pessoas
  • Medo de errar ou de ser julgada
  • Dificuldade em dizer não ou estabelecer limites
  • Sensação de que o esforço nunca é suficiente
  • Buscar validação externa para se sentir bem consigo mesma

Esses padrões costumam se repetir em diferentes áreas da vida: no trabalho, nos relacionamentos e até na forma como a pessoa cuida (ou deixa de cuidar) de si mesma.

De onde vem essa autocrítica

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que crenças sobre o próprio valor começam a se formar cedo, a partir de experiências, mensagens recebidas e comparações vividas ao longo da vida. Com o tempo, essas crenças passam a funcionar quase como um filtro automático: mesmo diante de uma conquista real, a mente encontra um motivo para minimizá-la.

É por isso que "só pensar positivo" raramente resolve — a crença de fundo continua ali, reinterpretando cada situação nova à luz da mesma história antiga.

"Quando você não se escolhe, qualquer escolha serve." A autoestima também se constrói na forma como você trata as próprias decisões.

Como a terapia trabalha a autoestima

O trabalho terapêutico com a autoestima não é sobre repetir frases de afirmação, mas sobre entender e reestruturar as crenças que sustentam a autocrítica. Isso costuma envolver:

  • Identificar as crenças centrais sobre o próprio valor
  • Reconhecer o crítico interno e questionar sua "voz" automática
  • Desenvolver uma forma mais realista — não idealizada — de se avaliar
  • Praticar novos comportamentos, como estabelecer limites e tolerar o erro

Com o tempo, o objetivo é que você deixe de precisar de aprovação constante para se sentir segura sobre quem é.

Um processo, não um destino

Autoestima não é algo que se conquista de uma vez e permanece estável para sempre — é uma relação que se cultiva. Buscar terapia não significa que você "falhou" em se amar sozinha; significa que você está disposta a entender, com apoio profissional, os padrões que sustentam essa relação. Se essa autocrítica aparece principalmente no trabalho, talvez você se identifique com o nosso artigo sobre síndrome do impostor.

Dra. Renata Linhares
Renata Linhares Psicóloga Clínica · Especialista em TCC · CRP 11/10622